Ecumenismo em Jerusalém

Ao longo do meu ministério, empenhei-me na ideia da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. Nem sempre foi fácil cumprir essa intenção nos dias e noites amargamente frios em meados de janeiro. Alguns obstinados do grupo Igrejas Juntas podem aparecer para orações diárias. Era quase tarefa do próprio diabo convencer os fiéis a comparecerem ao culto conjunto no domingo à noite. Mas muitas vezes o fizeram, então sentimentos calorosos e amizades se beneficiaram de orar juntos e procurar tornar reais nossas esperanças de uma unidade mais profunda. A minha experiência desta semana regular do ano da Igreja transformou-se vivendo em Jerusalém, que é o lar de quase todas as denominações cristãs conhecidas por Deus. Acontece uma semana mais tarde do que no Reino Unido, porque o Natal arménio é a 19 de janeiro, por isso, a Semana tem de seguir o festival, mas quando começa transforma-se num dos destaques do ano. Eu sei que é difícil de creditar, mas realmente é. A cor, a diversidade e a intensidade litúrgica são tão envolventes que é uma experiência rica para qualquer pessoa privilegiada poder partilhá-la. Todas as noites, um serviço é organizado por uma das principais denominações e, em seguida, as menores alternam ano a ano. A primeira noite de oração conjunta é sempre organizada pelos ortodoxos gregos na Igreja do Santo Sepulcro. Experimentamos o serviço das vésperas, faladas e cantadas em grego. A beleza da capela eleva a alma e atrai os fiéis para a misteriosa unidade da Trindade. Este ano, seguiram-se os serviços na minha própria Igreja Anglicana – a Catedral de São Jorge Mártir -, a Catedral Arménia de São Tiago Magno, a Igreja Luterana do Redentor, a Igreja Latina (RC) de São Salvador, o Cenáculo (ou Cenáculo) com os Dominicanos, a Igreja Ortodoxa Siríaca de São Marcos e, finalmente, a Catedral Melquita da Anunciação. Mesmo apenas a lista de anfitriões transmite a riqueza da experiência. A realidade de adorar juntos em igrejas extraordinariamente belas e antigas e participar de sua adoração desconhecida, mas profundamente comovente. Quase todas as noites a igreja estava praticamente cheia, com até 200 pessoas presentes. Toda a experiência é aprofundada pela hospitalidade oferecida após os serviços. Deu-me a oportunidade de falar com clérigos coptas, freiras católicas do Congo e do Sudão e jovens voluntários da Alemanha. A sensação foi universalmente calorosa e amigável. Jesus rezou pela unidade dos crentes, “para que sejam um”, em Jerusalém, no Cenáculo, por isso nós, os cristãos de Jerusalém, devemos procurar encarnar essa unidade. Mas falhámos no passado e continuamos aquém desta oração de Cristo. A Semana de Oração, porém, oferece uma visão do que poderíamos ser. É claro que orar juntos por uma semana não é suficiente, mas é um bom lugar para começar.

O Reverendíssimo Cónego Richard Sewell

Decano do Colégio de São Jorge, Jerusalém

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